26.5.11

Te sinto sob minhas mãos. Tão solido quanto um punhado de grãos de areia, que começam a se esvair de repente, quando mais é sentido quente, por entre as palmas. Você quase parece real. Naquelas horas a sós, em meio a quatro paredes, tudo é tão concreto que chega a realmente alimentar uma esperança disso tudo ser eterno afinal, de estar escrito em algum lugar e ter que acontecer, por mais que os ventos soprem ao contrário.
Seus lábios mal falam, mas seu corpo diz tanta coisa... Diz palavras de amor e juras de um futuro; fala de um perfeito encaixe, de entender o que meu corpo pede tão perfeitamente que tudo é quase uma dança, uma comunhão de sentidos, e gostos, e cheiros. E eles conversam tão bem como se fossem donos de uma linguagem única neste mundo. Eu sei que nessas horas você sente o mesmo que eu, e nesse tempo você quase começa a entender que tudo isso faz parte de um destino que enfim deve ser cumprido.
Mas ai você tem que embarcar naquele avião e dizer um “até breve”. E de repente, tudo aquilo que parece ter sido entendido por ambos os corpos, fica guardado e sufocando somente em meu coração. Até a sua próxima volta.